BRANDÃO, Helena Hathsue Nagamine. Gêneros do discurso: unidade e diversidade.
Polifonia – Revista do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem – Mestrado, n. 8, Cuiabá: Editora UFMT, s.d. Disponível em:
. Acesso em: 16 set. 2009.
Discurso e texto
“Por discurso, entendemos toda atividade comunicativa, produtora de sentidos, ou melhor, de efeitos de sentidos, entre interlocutores (sujeitos situados social e historicamente) nas suas relações interacionais. Pressupõe uma concepção de língua enquanto trabalho, atividade de construção de sentidos entre falantes na qual o que se diz significa em relação ao que não é dito, ao efeito que se pretende atingir; significa em relação ao lugar social de onde se diz, a quem se diz; significa em relação a outros discursos que circula(ra)m socialmente.
O discurso se manifesta lingüisticamente por meio de textos. Isto é, o discurso se materializa sob a forma de texto. É por meio do texto que se pode entender o funcionamento do discurso.
O texto, oral ou escrito, é construído no processo das relações interacionais, constituindo-se num todo significativo, independentemente de sua extensão. Como unidade complexa de significação, sua produção/compreensão implica levar em conta as condições de sua produção (situação de enunciação, interlocutores, contexto histórico social), mobilizando competências não só lingüísticas como competências extra-lingüísticas (conhecimento de mundo, saber enciclopédico, determinações sócio-culturais, ideológicas etc). Como objeto empírico, o texto constitui uma unidade significativa com começo, meio e fim.” (p. 2)
A tipologia do discurso em Bakhtin
“Mikhail Bakhtin (1992) insiste no caráter social dos fatos de linguagem, considerando o enunciado como o produto da interação social, determinado por uma situação material concreta assim como pelo contexto mais amplo que constitui o conjunto das condições de vida de uma dada comunidade lingüística.” (p. 2)
“[...]para Bakhtin, os discursos são produzidos de acordo com as diferentes esferas de atividade do homem. [...]” (p. 3)
“A riqueza e a diversidade das produções de linguagem são infinitas, mas organizadas. Bakhtin estende os limites da competência lingüística dos sujeitos para além da frase na direção do que ele chama os "tipos relativamente estáveis de enunciados", "o todo discursivo", isto é, os gêneros discursivos, para os quais somos sensíveis desde o início de nossas atividades de linguagem. Portanto, os gêneros do discurso são diferentes formas de uso da linguagem que variam de acordo com as diferentes esferas de atividade do homem.” (p. 3)
“Os gêneros se caracterizam pelos seus conteúdos temáticos, por estruturas composicionais específicas e pelos recursos lingüísticos (estilo) de que utilizam.
Bakhtin propõe distinguir: a) gêneros de discursos primários (ou livres) constituídos por aqueles da vida cotidiana, e que mantêm uma relação imediata com as situações nas quais são produzidos; temos um conhecimento intuitivo deles, adquirido nas nossas relações e experiências do dia a dia; b) gêneros de discursos segundos (ou estandartizados) que ‘aparecem nas circunstâncias de uma troca cultural (principalmente escrita) - artística, científica, sócio-política - mais complexa e relativamente mais evoluída’ [...]”. (p. 3). Para dominar os gêneros de discursos segundos, geralmente é necessária uma educação formal.
Tipos textuais e gêneros discursivos
Segundo Brandão, “as operações de textualização podem realizar-se nas formas de estruturas seqüenciais: narrativas, se o que se pretende é contar, apresentar acontecimentos [...]; descritivas, se o que se quer é caracterizar o objeto, fazê-lo conhecido [...]; argumentativas, se se quer refletir, comentar, avaliar, expor idéias, pontos de vista visando a uma determinada conclusão [...]; explicativas ou expositivas, se o que se quer é fazer compreender fatos, processos, transmitir saberes [...]” (p. 9). O gênero artigo de divulgação cientifica é, portanto, explicativo ou expositivo.
O gênero entre a estabilidade e a maleabilidade
Neste subitem do artigo podemos localizar a possível origem do gênero artigo de divulgação científica. Brandão afirma que os gêneros novos, ao surgirem, “ancoram-se em outros já existentes, eles não nascem do nada, como criações totalmente inovadoras; mas, como toda atividade de linguagem, sua gênese revela uma história, um enraizamento em outro(s) gênero(s).” (p. 4). E especificamente sobre artigo de divulgação científica: “[...] a passagem do ensaio científico para o artigo de divulgação científica indica o aparecimento de um novo gênero em função do auditório e dos propósitos comunicativos (interlocução com os pares ou com um público mais amplo, não especializado)”. (p. 5)
Polifonia – Revista do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem – Mestrado, n. 8, Cuiabá: Editora UFMT, s.d. Disponível em:
Discurso e texto
“Por discurso, entendemos toda atividade comunicativa, produtora de sentidos, ou melhor, de efeitos de sentidos, entre interlocutores (sujeitos situados social e historicamente) nas suas relações interacionais. Pressupõe uma concepção de língua enquanto trabalho, atividade de construção de sentidos entre falantes na qual o que se diz significa em relação ao que não é dito, ao efeito que se pretende atingir; significa em relação ao lugar social de onde se diz, a quem se diz; significa em relação a outros discursos que circula(ra)m socialmente.
O discurso se manifesta lingüisticamente por meio de textos. Isto é, o discurso se materializa sob a forma de texto. É por meio do texto que se pode entender o funcionamento do discurso.
O texto, oral ou escrito, é construído no processo das relações interacionais, constituindo-se num todo significativo, independentemente de sua extensão. Como unidade complexa de significação, sua produção/compreensão implica levar em conta as condições de sua produção (situação de enunciação, interlocutores, contexto histórico social), mobilizando competências não só lingüísticas como competências extra-lingüísticas (conhecimento de mundo, saber enciclopédico, determinações sócio-culturais, ideológicas etc). Como objeto empírico, o texto constitui uma unidade significativa com começo, meio e fim.” (p. 2)
A tipologia do discurso em Bakhtin
“Mikhail Bakhtin (1992) insiste no caráter social dos fatos de linguagem, considerando o enunciado como o produto da interação social, determinado por uma situação material concreta assim como pelo contexto mais amplo que constitui o conjunto das condições de vida de uma dada comunidade lingüística.” (p. 2)
“[...]para Bakhtin, os discursos são produzidos de acordo com as diferentes esferas de atividade do homem. [...]” (p. 3)
“A riqueza e a diversidade das produções de linguagem são infinitas, mas organizadas. Bakhtin estende os limites da competência lingüística dos sujeitos para além da frase na direção do que ele chama os "tipos relativamente estáveis de enunciados", "o todo discursivo", isto é, os gêneros discursivos, para os quais somos sensíveis desde o início de nossas atividades de linguagem. Portanto, os gêneros do discurso são diferentes formas de uso da linguagem que variam de acordo com as diferentes esferas de atividade do homem.” (p. 3)
“Os gêneros se caracterizam pelos seus conteúdos temáticos, por estruturas composicionais específicas e pelos recursos lingüísticos (estilo) de que utilizam.
Bakhtin propõe distinguir: a) gêneros de discursos primários (ou livres) constituídos por aqueles da vida cotidiana, e que mantêm uma relação imediata com as situações nas quais são produzidos; temos um conhecimento intuitivo deles, adquirido nas nossas relações e experiências do dia a dia; b) gêneros de discursos segundos (ou estandartizados) que ‘aparecem nas circunstâncias de uma troca cultural (principalmente escrita) - artística, científica, sócio-política - mais complexa e relativamente mais evoluída’ [...]”. (p. 3). Para dominar os gêneros de discursos segundos, geralmente é necessária uma educação formal.
Tipos textuais e gêneros discursivos
Segundo Brandão, “as operações de textualização podem realizar-se nas formas de estruturas seqüenciais: narrativas, se o que se pretende é contar, apresentar acontecimentos [...]; descritivas, se o que se quer é caracterizar o objeto, fazê-lo conhecido [...]; argumentativas, se se quer refletir, comentar, avaliar, expor idéias, pontos de vista visando a uma determinada conclusão [...]; explicativas ou expositivas, se o que se quer é fazer compreender fatos, processos, transmitir saberes [...]” (p. 9). O gênero artigo de divulgação cientifica é, portanto, explicativo ou expositivo.
O gênero entre a estabilidade e a maleabilidade
Neste subitem do artigo podemos localizar a possível origem do gênero artigo de divulgação científica. Brandão afirma que os gêneros novos, ao surgirem, “ancoram-se em outros já existentes, eles não nascem do nada, como criações totalmente inovadoras; mas, como toda atividade de linguagem, sua gênese revela uma história, um enraizamento em outro(s) gênero(s).” (p. 4). E especificamente sobre artigo de divulgação científica: “[...] a passagem do ensaio científico para o artigo de divulgação científica indica o aparecimento de um novo gênero em função do auditório e dos propósitos comunicativos (interlocução com os pares ou com um público mais amplo, não especializado)”. (p. 5)